Dirummad

Relato de parto

Sempre quis ter parto normal e graças a Deus tive uma gravidez tranquila, consegui trabalhar até os 8 meses. O parto estava previsto para o dia 22/03/2016 e era metade de Fevereiro eu já estava com as malas prontas.. a minha e a da Lari.

Não me lembro de ter visto ou percebido o tampão, só me lembro que no começo de Março, eu comecei a sentir algumas contrações sem dor. Minha barriga ficava dura e como não sabia o que era, fui até meu médico, que me disse ser normal, era apenas meu corpo se preparando. No dia 18, fui até o shopping buscar as fotos do ensaio gestante e desde cedo, comecei a sentir as contrações mais constantes, mais fortes, porém sem dor.

Cheguei em casa e terminei de arrumar todo o guarda-roupa da Lari, passei pano em todos os móveis do quartinho e no chão, deixei tudo muito organizado e as contrações indolores me acompanhando. No final do dia, depois que jantei, senti outra e no final com um pouco de cólica! Na hora percebi que poderia ser o começo do meu trabalho de parto. Cinco minutos depois, outra mais forte e depois da terceira, decidi ir para o chuveiro, porque a dor estava começando a ficar beeem forte até ter uma quase insuportável, onde sai correndo desesperada e querendo ir ao hospital.

Escolhi um hospital em outra cidade que fica a 40 min. da minha casa, pois lá, o parto é humanizado e a infraestrutura bem melhor do que aqui da minha cidade, então, estava aflita com medo de não conseguir chegar a tempo. Entre uma contração e outra no carro, com intervalo de 7 minutos, sentindo muita dor, só me lembrava do que uma amiga me disse uma vez: “Cada contração é uma a menos” e “A dor vai passar e será tudo lindo”.

Cheguei no hospital tendo contrações com muita dor, parecia que meu corpo iria se partir ao meio, então eu achava que já estava próximo de nascer, mas quando fui passar com a médica, depois de 1 hora que cheguei lá, eu estava com APENAS 2 cm de dilatação. Bom, imaginei que estaria com 6 cm, pela intensidade da dor e das contrações que já estavam a cada 3 min. A médica me mandou pra casa, me disse para tomar um paracetamol e tentar dormir. Paracetamol? Que loucura, estava a ponto de bater nela de tanta dor que sentia, disse que não iria para casa, que iria esperar ali, porque não aguentava nem andar quando a contração chegava.

Ela me pediu para dar uma volta e fui com meu marido até o estacionamento, andando bem devagar, quando a contração vinha, eu parava de andar e gritava de tanta dor, cheguei até a vomitar de tão forte que estava. Depois de 1 hora e meia, voltei para o consultório e estava com 4 cm  e ela me disse que só me internaria com 6.

Bom, a essa altura já eram 02:30 da manhã, eu não conseguia ficar sentada nem em pé, então fiquei deitada numa cama sofrendo com as dores que vinham a cada 1 minuto e quando dava esse 1 minuto de “descanso”, eu conseguia cochilar e até sonhava, mas logo vinham as dores que duravam uns 40 segundos, mas pareciam 40 minutos. As 04:30 a médica foi me examinar e disse que estava com 6 dedos de dilatação e decidiu me internar.

Até chegar no quarto, já eram 05:00 da manhã e eu já não estava suportando as dores, lembro que eu pensava que nunca mais teria parto normal e gritava pedindo a peridural, mas as enfermeiras me diziam que teria que ser na raça e que eu daria conta. Deitei na cama e pedi para levantar o encosto, fiquei praticamente sentada, essa era a posição que mais me deixava confortável. A médica chegou e me examinou, já estava com 8 cm e nada da bolsa estourar, então ela estourou e saiu pouco liquido. Ela disse que seria melhor fazer a Episiotomia para ajudar na passagem, já que a Larissa parecia ser muito grande.. no começo não aceitei e ela me respeitou, mas logo depois, pedi para fazer, porque a dor estava muito insuportável e fiquei com medo de ser “dilacerada”.

Foi feito o procedimento e me lembro que já estava me desfalecendo, pois estava ficando sem forças. Senti quando o bebê estava para coroar, mas não acabava nunca. Então, decidi pedir a ocitocina para me ajudar a acelerar o nascimento, mas me arrependi depois, pois as contrações ficaram muito mais violentas. Quando foi 06:30, eu lembro que fechei meus olhos e pedi para Deus não deixar passar das 07:00, pois não aguentava mais, nos 30 segundos de intervalo das contrações, eu apagava de tão cansada que estava. Então reuni todas as minhas forças e pensei, agora esse bebê vai ter que nascer, não dá mais para voltar atrás.

Lembro que fiz tanta força, chorei, esmaguei a mão do meu marido e quase entortei a barra de ferro que estava ao lado da minha cama até que ouvi a médica: está chegando mamãe, é cabeluda! Nesse momento, senti o corpinho da Lari passando, me lembro exatamente da sensação até hoje e de repente, as 06:45 da manha a calmaria, a dor desapareceu, consegui respirar aliviada e quando olho para a minha barriga, vejo um bebezinho todo ensebado em cima de mim, estava quietinha e encolhida, como se também estivesse descansando.

Fiquei preocupada porque ela não estava chorando, mas a médica me disse para manter a calma, ela estava bem e ainda ligada ao cordão, recebendo o meu oxigenio e quando ela cortou, a Lari começou a chorar, um choro que pra mim soou como alivio, felicidade e amor. Segurei meu bebê e não conseguia acreditar que todo o sofrimento havia passado e que finalmente chegou o momento em que pude ver o rostinho do verdadeiro amor.

A Larissa nasceu no dia 19/03/2016, as 06:45 da manhã de um lindo sábado ensolarado, com 3.300kg e 47,5 cm com Apgar 9 e 10 depois de 9 horas de trabalho de parto. Todo o procedimento que é feito com o recém nascido, desde o banho para limpar e as vacinas, foram feitos ali, do meu lado.. pude acompanhar tudo. Enquanto meu marido segurava ela, ali no quarto onde foi o parto, eu tomava banho amparada pela enfermeira pois estava muito fraca. Tomei um lanchinho olhando para o meu pacotinho e fomos juntas para o quarto que iria ficar até receber alta, sai de cadeira de rodas e amamentando!

Que felicidade, todo esforço valeu a pena.. O meu prêmio estava ali nos meus braços e digo com toda certeza, apesar de toda dor insuportável, todo o sofrimento, de ter gritado varias vezes pedindo a cesaria, eu faria tudo de novo.

 

Um comentário em “Relato de parto”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s